Maria Berenice Dias

O afeto merece ser visto como uma realidade digna de tutela.

Categoria: ARTIGOS, Homoafetividade

Convivendo com a diversidade

 

Maria Berenice Dias[1]

 

Em 1969, no dia 28 de junho, Nova Iorque serviu de palco a um confronto entre policiais e homossexuais, acontecimento que, pelas suas tristes conseqüências, acabou servindo de marco para a institucionalização do Dia do Orgulho Gay.

A busca pela cidadania, o combate ao preconceito e a tentativa de eliminar a discriminação desencadeou um grande movimento, levando à formação de inúmeros grupos ativistas, que vem evidenciando que o direito à dignidade  implica no direito à liberdade e a igualdade, como imperativos de um Estado Democrático de Direito.

A dificuldade da sociedade em conviver com os segmentos que não repetem nem reproduzem o modelo de vida aceito como “normal” leva à odiosa exclusão de todas as minorias, que são relegadas à margem da inserção social. Essa postura, que se revela como flagrante afronta aos direitos humanos fundamentais, acaba alimentando os chamados “crimes de ódio”, perpetrados exclusivamente pelo afastamento do indivíduo do modelo aceito como politicamente correto.

Daí ser imperioso que todos passem a ver e aprendam a conviver com as diferenças. Quem não é igual não deve ter medo nem vergonha de assumir sua condição de vida. Assim, “sair do armário” é a forma mais fácil e rápida para a inserção de quem não escolheu ser diferente e não merece ser alvo do repúdio e da marginalidade.

Por isso, nesta época do ano paradas se multiplicam em todo o mundo. De há muito o Brasil realiza as maiores paradas do mundo. Trata-se de uma festa de cidadania. Lá comparecem não somente gays, lésbicas, travestis, transexuais e drag queens. Simpatizantes vão empenhar solidariedade e demonstrar simpatia.

Mais do que uma festa as paradas são atos políticos, momentos cívicos, que, se repetem em várias cidades de todo o país. Estes acontecimentos, com certeza, são o marco de uma mudança de mentalidade, uma maior consciência de cidadania, e de respeito a quem encontrou na homoafetividade o seu jeito de ser.

Imperioso que todos passem a conviver com a diversidade, com as diferentes formas de viver, pois imprescindível que a todos seja assegurado o direito de ser feliz.

 

 

 

Publicado em 24/05/2007.

[1] Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

www.mariaberenice.com.br

 

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